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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Viva o corpo diverso!


Descrição da imagem: foto colorida de Carol Vidal. Leandra está sorrindo radiante sentada em sua cadeira de rodas. Ela segura o micro fone nas mãos, está com blusa e calça na cor preta por baixo. E por cima ela usa uma blusa na cor rosa brilhante e uma estola na cor prateada bem brilhante. Tem os cabelos e olhos castanhos claros e usa maquiagem e anéis e pulseiras brilhantes. Ao fundo está o cenário do encontro Boteco da Diversidade realizado no SESC Pompéia em 2017, onde aparece um adereço de teatro na cor prata bem brilhante com detalhes rosa. A foto está bem bonita e com uma luz linda.   


Texto de Leandra Migotto Certeza*


Sempre fui olhada, ‘esquartejada’, detalhada…

Sempre fui cochichada, fofocada, julgada…

Poucos se aproximavam para me conhecer.

Sempre fui tolhida. Sempre fui quebrada.

Sempre senti dor.


Sempre me senti presa a um corpo infantilizado.

A um meio corpo.

A uma meia ‘criança-menina-mulher’.

A algo indefinido…


Meu corpo sempre foi ‘fraco’, intocável.

Meus desejos sempre estiveram no mais profundo poço do ‘inatingível’.

Pecado tocar. Errado querer. Feio.


Eu nunca pude dizer há que vim.

O que sou.

O que desejo.

O que espero.

O que luto.

O que preciso mostrar.


Hoje quebro. Mas não o corpo.

O que ele realmente é: essa massa una entre alma e carne.

Entre desejo e pudor.

Entre vida e morte.

Entre explosão e dor.

Entre prazer e abrigo.

Entre eu e muitas pessoas que moram em minha alma.


O corpo de uma mulher é múltiplo.

É preciso mostrar ao mundo cada pedacinho que pulsa em corpos diferentes.

São bocas em cabeças tortas, pernas grossas e curtas, bumbum arrebitado, coxas arredondadas e cheias de ruguinhas ‘infantis’, púbis ardendo de tesão, seios pequenos em um tronco pequeno demais.

Não há cintura, não há quadril definido.

Não há pernas finas e compridas.

Não há balanço nas cadeiras.

Não há andar sensual.

Não há mini saia que leva ao ‘mistério escuro’.

Não há uma mulher padronizada, robotizada, perfeita!

Não há o esperado.

Há outra possibilidade de ser mulher inteira com todos os sentimentos e sentidos que pulsam do corpo de alguém que sempre foi quem é, mas tinha receio de se assumir.

Amar e ser amada trouxe força a minha alma para conseguir se libertar da sociedade que sempre me tolheu.

Hoje me sinto bem do jeito que sou. 
Sou diferente sim! Chamo a atenção. Mas quem não é? Quem não chama?



Eu não posso engravidar, mas tenho o direito de ser mãe tendo uma deficiência física!

Eu não posso dançar flamenco e tango, mas tenho o direito de me arrepiar quando vejo os corpos se unirem com a alma, a cada passo dos bailarinos.

Eu não posso fazer amor com tanta volúpia, e em posições que sempre sonhei, mas posso ter orgasmos estupendos!

Eu não posso sentir meu corpo mudar, ao abrigar um novo ser em meu ventre, mas posso amar – incondicionalmente – as crianças que habitam o meu coração.

Eu não posso amamentar um bebê quentinho em meus braços, mas tenho muita seiva escorrendo, pelos fios da minha alma, para alimentar espíritos sedentos.


TODAS as pessoas com deficiência podem ser felizes do jeito que são!

Têm total direito de serem amadas, desejadas, queridas, seduzidas, e principalmente, de se apaixonarem pelos seus corpos.

Têm o total direito de se sentirem confortáveis dentro deles, e exalar felicidade pelos seus poros, como eu estou fazendo agora! 


Este poema está no Podcat Rabiscos:



Participação de Leandra no Café Polifônico do Vozes Diversas!


*Leandra Migotto Certeza é mulher com deficiência física, feminista, escritora, poeta, jornalista e consultora em Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência desde 1998. 
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Leandra Migotto Certeza no Boteco da Diversidade em Sampa






O Boteco da Diversidade é um projeto contínuo, e que propõe ocupar a Comedoria do Sesc Pompeia. Trata-se de uma iniciativa que se dispõe a ampliar a visibilidade política e artística de personalidades, ações e assuntos vinculados à diversidade cultural e à defesa dos direitos humanos. Cada encontro é construído de forma diversa, com individualidades, artistas, e formatos também diversos, mantendo-se o ineditismo a cada edição.



Em junho, a arte encontra o diálogo político sobre as muitas formas de se reconhecer a corporalidade e as sexualidades das pessoas com deficiência no Brasil. Com Estela Lapponi, Edu O., Billy Saga, Leandra Migotto, Leandrinha Du Art, Tuca Munhoz, Gata de Rodas.




Com 22 anos e entregue às causas de igualdade, Leandra é mulher, transexual, fotógrafa, produtora, presidenta da 
Associação das Pessoas Portadoras de Deficiência de Passos, no Sul de MG - a Reintegrar. É ativista, midialivrista, cadeirante e uma das referências na luta LGBTs e das Pessoas com Necessidades Especiais.
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/12/conheca-leandrinha.html




Blogueira (Gata de Rodas), feminista, militante pela diversidade sexual e pelos direitos das pessoas com deficiência. 



Jornalista, escritora e ativista dos direitos das Pessoas com Deficiência. Coordena o projeto Fantasias Caleidoscópicas sobre sexualidade da pessoa com deficiência. Foi premiada pelo projeto de pesquisa Fantasias Caleidoscópicas pela Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade em Lima.  






Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. Ex secretário adjunto da Secretária da Pessoa com Deficiência . Assessor do Grupo de Trabalho Acessibilidade São Paulo Transportes S/A e Coordenador do Coletivo We Fuck Brasil . Locutor e produtor do programa de rádio Minuto da Inclusão.Também interpreta a personagem Tucalino, o Clowndeirante.




Professor da Escola de Dança da UFBA , onde também concluiu o mestrado, em 2014. É dançarino, coreógrafo e diretor do Grupo X de Improvisação em Dança. Criador de espetáculos premiados como "Judite quer chorar, mas não consegue!", "Ah, se eu fosse Marilyn!" e "O Corpo Perturbador". Possui experiência internacional junto à Candoco Dance Company (Inglaterra), Cia. Artmacadam e Cie Kastor Agile.




Performer paulistana que tem como foco de pesquisa o discurso cênico do corpo com deficiência, o relacional com o público e o trânsito entre as linguagens cênicas e visuais. Criou o termo Corpo Intruso (2009) e sua manifestação Zuleika Brit. Vimeo Estela Lapponi 



Rapper cadeirante, publicitário, artista plástico, Presidente da ONG Movimento SuperAção e consultor da ONG Mais Diferenças. Lançou recentemente o seu segundo disco intitulado “As ruas estão olhando”.







segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Hong Kong quer debater sobre sexualidade da pessoa com deficiência com Macau


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A sexualidade vivida pelas pessoas com deficiência é ainda um assunto tabu e é preciso debater o assunto com a sociedade

É um assunto tabu em quase todo o mundo, e mesmo na Europa, em Portugal, só recentemente começou a ser abordado. As pessoas com deficiência também vivem a sua sexualidade, mas continua a persistir a ideia de que a intimidade é uma área que eles não vivenciam.

Foi a pensar nisso que o Hong Kong Women Christian Council promoveu um debate sobre o assunto na região vizinha, mas a ideia é que possam ser estabelecidas ligações com entidades de Macau para discutir este tema no território. “Estamos a planear partilhar a nossa conferência com alguns grupos que tenham interesse na questão ou com organizações de apoio à deficiência em Macau. Também estamos a planear fazer alguma peça de teatro educacional para os portadores de deficiência em Macau”, disse ao HM Little Wing Yick, uma das responsáveis pela organização.

A discussão em torno da sexualidade na deficiência começou em 2012, quando o Hong Kong Women Christian Council publicou 12 histórias no livro “O amor não tem deficiência”. Desde então que tem feito também investigação sobre o assunto e sobre casos noutros países.

“A sexualidade na deficiência é ainda um grande tabu na sociedade de Hong Kong. Encontrámos alguns casos de deficientes que, no seu dia-a-dia, sofrem abusos sexuais e existe falta de educação sexual para eles. Os subsídios que são concedidos permitem as pessoas com deficiência manterem os seus empregos, viagens, manterem uma casa e serviços médicos, mas não existe nada para as suas necessidades sexuais ou íntimas. Há uma ideia de que o portador de deficiência não deveria ter sexo. Por isso esperamos alertar o público para esta questão dos direitos dos deficientes em relação ao sexo e prevenir os abusos contra estas pessoas”, adiantou Little Wing Yick.

Para a responsável, “tudo está relacionado com o problema da indústria em Hong Kong”. “Acreditamos que, quando abordamos a prática de serviços sexuais em relação aos portadores de deficiência, deveríamos aprofundar questões que têm que ver com a lei, direitos humanos e medicação”, disse ainda.

Abusos sexuais são realidade

Hetzer Siu, presidente da Macau Special Olympics, uma das entidades que representa as pessoas com deficiência, fala da existência de casos de abuso sexual que nunca chegam a constituir processos judiciais, por falta de provas.

“No passado aconteceu e mesmo hoje em dia há vários casos de abusos sexuais em Macau, porque as pessoas com deficiência mental estão mais vulneráveis, porque mesmo que sejam alvo de abusos não conseguem falar do que se passou. Mesmo que os casos vão parar à polícia, não conseguem encontrar provas porque a vítima não consegue expressar o que aconteceu. Ainda assim não há muitos casos porque Macau é uma sociedade pequena e comunidade irá saber quem abusou de uma pessoas com deficiência. Nesse sentido é vantajoso vivermos numa sociedade pequena”, explicou.

Ainda assim, existe o lado bom da medalha: os deficientes que conseguem ter uma vida normal e constituir família.

“Há um ponto interessante na sociedade de Macau, porque segundo a tradição chinesa os filhos homens têm de ter filhos e casar, então há muitos pais que tentam encontrar uma esposa para os seus filhos. Tentam arranjar um casamento tradicional para eles. Em relação às mulheres, alguns pais também procuram que as suas filhas encontrem um parceiro, porque pensam que é muito importante constituir uma família.”

Hetzer Siu considera que é importante debater o assunto em parceria com Hong Kong, mas alerta para as dificuldades em abordar a realidade dos abusos sexuais.

“É necessário apostar na educação sexual para os pais destas pessoas, porque a sexualidade é uma necessidade básica de qualquer ser humano. É preciso que haja mais informação sobre o controlo de doenças sexualmente transmissíveis e também sobre relações sexuais protegidas. Todas as pessoas têm essa necessidade, sobretudo de intimidade, e não me refiro apenas ao sexo. As pessoas com deficiência têm necessidade de estabelecer relações íntimas e não apenas relações sexuais”, rematou o presidente da Macau Special Olympics.

Fontes: hojemacau - turismoadaptado.wordpress.com

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Leandra fala sobre sexualidade da pessoa com deficiência em rádio francesa


Fonte: http://www.portugues.rfi.fr/geral/20150525-franca-debate-o-acompanhamento-sexual-pessoas-com-deficiencia
 

5 de Maio de 2015
França debate o acompanhamento sexual a pessoas com deficiência
Cena do filme "As Sessões", de Ben Lewin, no qual Holly Hunt vive Cheryl, a acompanhante sexual de Mark, portador de deficiência física interpretado por John Hawkes.
Cena do filme "As Sessões", de Ben Lewin, no qual Holly Hunt vive Cheryl, a acompanhante sexual de Mark, portador de deficiência física interpretado por John Hawkes.

Divulgação
Daniella Franco
 
Com o recente lançamento do livro "En Dépit du Bon Sens" (em português, "Apesar do Bom Senso"), autobiografia de Marcel Nuss, célebre militante pelos direitos das pessoas com deficiência, a França voltou a falar sobre a assistência sexual a pessoas com necessidades especiais. A atividade, que já foi adotada em alguns países europeus, é proibida na França porque é considerada uma forma de prostituição.

Marcel Nuss sofre de amiotrofia espinhal, uma doença degenerativa, que compromete gravemente o sistema respiratório e atrofia os músculos. Em seu novo livro, o militante descreve seus sessenta anos de luta, de maus tratos médicos e administrativos. Também denuncia a incompetência de políticos no tratamento de questões relacionadas aos direitos e ao bem-estar das pessoas com deficiência física na França.

Na obra, Nuss também fala da criação da Associação Para a Promoção do Acompanhamento Sexual (Appas), na cidade de Erstein, no nordeste da França. "A assistência que propomos tem o objetivo de ajudar as pessoas com deficiência a desenvolver sua autoestima e sua confiança. Isso permite que elas descubram seus próprios corpos", disse, em entrevista à RFI.

A ideia divide os franceses, encontra resistência de muitas organizações e fica estagnada no âmbito político. Entrevistada pelo jornal Libération, a presidente da associação Femmes pour le Dire, Maudy Piot, que milita pelos direitos das mulheres, classifica o trabalho dos acompanhantes sexuais de pessoas com deficiência física como um "comércio do corpo". "Uma prestação sexual com hora e dias marcados! Onde está o desejo? Onde está o amor?", questiona.

O governo francês lava as mãos quando a questão vem à tona. Em 2011, o deputado do partido UMP Jean-François Chossy apresentou na Assembleia francesa um relatório onde ressalta a necessidade "de todas as pessoas receberem a assistência humana necessária para a expressão de sua sexualidade" e onde faz um apelo por um debate ético e jurídico sobre a questão. Em 2012, o presidente François Hollande prometeu promover um debate sobre o acompanhamento sexual a pessoas com necessidades especiais na sociedade francesa. Em 2013, o Comitê Consultativo de Ética francês se pronunciou sobre a questão se manifestando sobre o "princípio da não utilização comercial do corpo humano". Desde então, a discussão está estagnada.

Atividade é reconhecida em sete países europeus, EUA e Israel


A assistência sexual já é uma realidade em Israel e nos Estados Unidos, onde o debate sobre a atividade também é intenso. Em 2012, o longa The Sessions (As Sessões), do diretor Ben Lewin, contribuiu para popularizar a prática no país. Na Europa, a atividade é reconhecida na Alemanha, Holanda, Dinamarca, Suíça, Áustria, Itália e Espanha.


Embora ilegal, o acompanhamento sexual não deixa de acontecer na França. Várias associações francesas relatam receber pedidos frequentes de pessoas com deficiência física que procuram acompanhantes sexuais. Em muitas organizações, os contatos dos acompanhantes são colocados à disposição dos interessados. 

O trabalho e a militância dos assistentes ajudam a desmistificar a atividade. Em vídeos publicados na internet, Jill Prêvôt-Nuss, assistente sexual da Appas e esposa de Marcel Nuss, define o acompanhamento sexual como uma forma de terapia corporal e psicológica que não pode ser banalizada. "As pessoas com deficiência são geralmente tocadas todos os dias por dezenas de mãos para serem vestidas, lavadas, carregadas, alimentadas, mas nunca acariciadas sexualmente. 

A sexualidade é um direito fundamental que diz respeito à saúde e a liberdade de cada um", defende. Com base no interesse crescente e desafiando a justiça francesa, a Appas promoveu, em março, a primeira formação de assistentes sexuais no país em Erstein, perto de Estrasburgo, no nordeste da França. O evento quase foi cancelado de última hora, depois que a direção do hotel onde seria realizado alegou temer ser processada por proxenetismo. Mas uma decisão do tribunal de Estrasburgo obrigou o estabelecimento a acolher o evento por considerá-lo como uma "formação pela educação sexual geral".

"O que defendemos é um direito fundamental à vida afetiva e sexual para as pessoas com deficiência. E sobretudo feito por pessoas e para pessoas que fazem essa escolha livremente. É preciso que todos entendam bem isso", explica Jérémy Kolbecher, um dos administradores da Appas.

No Brasil, ainda é tabu 

Mas, em muitos países, como o Brasil, a assistência sexual não é nem mesmo conhecida. A sexualidade das pessoas com deficiência física, para os brasileiros, ainda é tabu, explica a jornalista e consultora em inclusão e diversidade, Leandra Migotto Certeza. "Há essa ideia de que as pessoas com deficiência são assexuadas. A questão é pouco discutida mesmo no meio acadêmico e entre os militantes", observa.

Leandra ressalta que o pior preconceito é o que acontece dentro das famílias das pessoas com deficiência. "É preciso que todos estejam cientes que a sexualidade não deixa de existir porque você a pessoa tem uma deficiência. Mesmo estando em uma cadeira de rodas ou com tetraplegia, as pessoas têm desejo sexual", ressalta.

O psicólogo, fundador do blog Inclusão Diferente e autor do livro Sexualidade e Deficiência, Damião Marcos, conta que muitas famílias resolvem a questão da experiência sexual de parentes com deficiência de forma inapropriada. "Alguns familiares levam seus filhos ou filhas para prostíbulos. Como no Brasil não existe esse acompanhamento sexual para as pessoas com deficiência, as famílias que entendem essa necessidade não têm outra saída", conta.

Fantasias Caleidoscópicas

Pensando nesse vácuo sobre a sexualidade das pessoas com deficiência no Brasil, Leandra criou, em parceria com a fotógrafa Vera Albuquerque, o projeto Fantasias Caleidoscópicas, um ensaio fotográfico sensual de pessoas com deficiência física. "O objetivo é desmistificar o tabu da sexualidade da pessoa com deficiência e também de mostrar a realidade dessa beleza e dessa estética."


A jornalista e consultora em inclusão e diversidade,
Leandra Migotto Certeza, idealizadora do projeto 
Fantasias Caleidoscópicas, 
ensaio fotográfico que tem objetivo de desmistificar 
o tabu da sexualidade de pessoas com deficiência.
Vera Albuquerque/Fantasias Caleidoscópicas

As fotos são expostas com os relatos dos modelos: homens, mulheres e casais hétero e homossexuais. Além disso, o projeto também conta com um documentário e oficinas educativas interativas sobre saúde sexual.

Fantasias Caleidoscópicas foi premiado no 6º Congresso Internacional "Prazeres Dês-Organizados – Corpos, Direitos e Culturas em Transformação”, em Lima, no Peru, em junho de 2007. Leandra e Vera trabalham agora na sequência do projeto e buscam patrocínio para a realização dele.


Ouçam o áudio com a entrevista nos links:

https://sites.google.com/site/leandramigotto/

https://sites.google.com/site/leandramigotto/palestrasmotivacionais/trajetoria-da-caleidoscopio/portifolio-de-audios

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Projeto Fantasias Caleidoscópicas será apresentado no Centro de Pesquisa e Formação do SESC



Foto: Vera Albuquerque


"Eu não posso engravidar, mas tenho o direito de ser mãe tendo uma deficiência física! Eu não posso dançar flamenco e tango, mas tenho o direito de me arrepiar quando vejo os corpos se unirem com a alma, a cada passo dos bailarinos. Queria estar no lugar de quem tem um corpo diferente do meu. Tenho o direito de desejar ser outra pessoa, e como é bom! Não preciso bancar a conformada, aceitar a roupa de heroína (que me colocaram) ou me afundar no poço da depressão. Escolhi o caminho do meio.

Eu não posso fazer amor com tanta volúpia, e em posições que sempre sonhei; mas posso ter orgasmos estupendos! Eu não posso sentir meu corpo mudar, ao abrigar um novo ser em meu ventre, mas posso amar – incondicionalmente – as crianças que habitam e habitarão o meu coração. Eu não posso amamentar um bebê quentinho em meus braços, mas tenho muita seiva escorrendo, pelos fios da minha alma, para alimentar espíritos sedentos." 

Trecho da Crônica: "Grávida de mim mesma" de Leandra Migotto Certeza
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Projeto Fantasias Caleidoscópicas 

É um projeto de pesquisa que busca retratar a imagem (na maioria das vezes, preconceituosa) que a sociedade tem em relação à sexualidade das pessoas com deficiência no Brasil e no mundo, e desmistificá-la por meio de ensaios fotográficos, capacitação educacional, exposição de arte e publicações acessíveis.

Para a fotógrafa Vera Albuquerque, questiona-se, assim, o padrão de beleza – instituído pelos meios de comunicação e pela moral dominante – ressaltando a possibilidade de uma democratização do prazer, uma igualdade de direitos sexuais, uma disposição das mentes (e dos corações) contra os juízos prévios e os preconceitos. 

Para a jornalista Leandra Migotto Certeza, dar voz às imagens é tão importante quanto o registro fotográfico, pois é interessante conhecer as histórias de vida dessas pessoas, que em sua maioria ainda são bem pouco ouvidas. 

O enfoque está na arte e na educação como agentes transformadores da realidade, aliados à palavra, como testemunha dos fastos e detentora de um poder de mudança na sociedade. 

Á convite da – MAM – Movimiento Amplio de Mujeres Línea Fundacional (Peru) e da Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade, as primeiras nove fotos foram expostas no “6º Congresso Internacional Prazeres Dês-Organizados – Corpos, Direitos e Culturas em Transformação”, em Lima no Peru, em junho de 2007. O embrião do projeto ficou em segundo lugar (categoria pôster) na premiação do congresso.

Em virtude desta premiação, Leandra foi entrevistada pelo Observatório de Sexualidade e Política: um fórum global composto de pesquisadoras/pesquisadores e ativistas de vários países e regiões do mundo. E a convite do Ministério da Saúde brasileiro, o projeto Fantasias Caleidoscópicas também foi apresentado no “I Seminário Nacional de Saúde: Direitos Sexuais e Reprodutivos e Pessoas com Deficiência”, em Brasília, em março de 2009 e publicado em livro em 2010. E em virtude deste seminário, a TV Brasil – www.tvbrasil.org.br fez uma reportagem sobre a Sexualidade da Pessoa com Deficiência e entrevistou Leandra Migotto Certeza. A jornalista também realizou uma palestra sobre sexualidade da pessoa com deficiência na Secretaria de Promoção da Cidadania da Prefeitura de São José dos Campos (SP), em 2014, e irá participar de um ciclo de debates sobre o tema no Centro de Pesquisa e Formação do SESC em julho próximo.
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Ciclo "Deficiência e Sexualidade na Contemporaneidade" 

Dias 15 e 19 de Julho no Centro de Pesquisa e Formação do SESC



O senso comum difunde e expressa um estigma sobre a sexualidade das pessoas com deficiência como assexuadas, visão esta, envolta por preconceitos e representações sociais. Ainda é um tema tabu, que pouco se discute e que vem sendo esclarecido apenas nos últimos anos. Nesse sentido, proporcionar o acesso à informação sobre o assunto busca contribuir para a construção das relações sociais.

Esses dois encontros tem a intenção de discutir as questões relativas ao tema, abrindo espaço para debater, conversar e pensar, a partir dos estudos e das reflexões das pessoas com deficiência, que vem trabalhando para construção sociocultural de novas abordagens sobre o assunto.


Dia 15/07 (terça) das 19hs e 30min às 21hs e 30min.

Abordagens de questões contemporâneas relativas à constituição social da experiência da deficiência, à luz dos estudos sobre deficiência de matriz feminista e da teoria Queer/Crip. A abordagem tem como foco as questões de construção do corpo, do gênero e da sexualidade, no sentido de compreender como essas categorias se articulam na manifestação da deficiência como identidade política.

Com Anahi Guedes de Mello, antropóloga e doutoranda em Antropologia Social da UFSC. Pesquisadora do Núcleo de Identidades de Gênero e Subjetividades e do Núcleo de Estudos sobre Deficiência (NIGS/NED/UFSC).


Dia 19/07/14 (sábado) das 14hs às 16hs e 30mim. 

Debate de experiências e reflexões sobre o tema da deficiência e sexualidade, discutindo os preconceitos, as representações simbólicas, as dimensões psicossociais e as formas de afirmar a liberdade de exercer a sexualidade. 


Com Fabiano Puhlmann di Girolano, psicoterapeuta especialista em Psicologia Hospitalar da Reabilitação pela USP e em Sexualidade Humana pelo Instituto H. Ellis. Mestre em Inclusão de Pessoas com Deficiências pela Universidade Salamanca, Espanha.



Com Leandra Migotto Certeza, jornalista, palestrante e consultora em Inclusão de Cidadãos com Deficiência e Diversidade, Coordenadora da Caleidoscópio Comunicações - Consultoria em Inclusão e Assessora de Imprensa Voluntária na Associação Brasileira de Síndrome de Williams.



Com Márcia Gori, bacharel em Direito pela UNORP. Escreve na revista Reação - Coluna Mulher, no site Tudo para PcD - Coluna Mulher & Sexualidade e no Blog Inclusão - Coluna Sexualidade.


Haverá tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais) nos dois dias do ciclo. 






INSCRIÇÕES PARA O ENCONTRO:

terça-feira, 1 de abril de 2014

Palestra sobre Sexualidade da Pessoa com Deficiência é sucesso em São José dos Campos





"Ainda na série "Não confunda Deficiência com Incapacidade", nossa amiga Leandra Migotto Certeza deu um show na última quinta-feira na roda de conversa, mostrando que a mulher com deficiência deve estar em todos os espaços, e que a sociedade precisa desconstruir muitos mitos e tabus sobre a sexualidade das pessoas com deficiência. Para os que estiveram presentes, a troca de experiências foi maravilhosa. Vamos em frente!" 



"Foi um grande prazer conhecê-la. Quero ajudar a divulgar seu trabalho para conscientizar quem tanto precisa. Foi emocionante cada momento da palestra de ontem, e hoje no trabalho comentei com os colegas o quanto foi interessante saber um pouco mais sobre a vida de quem tem limites, mas não se deixa desanimar na luta e faz valer a pena viver.

Parabéns pela coragem de falar sobre a sexualidade, tema sempre cheio de tabus e preconceitos. Me contagiou sua alegria e vontade de lutar, e desejo muito que volte a São José para continuarmos aprendendo com você".



Um abraço

Neusa (mãe de William, que é portador da Síndrome de Asperger).





William Maximiliano e toda a maravilhosa equipe da Secretaria de Promoção da Cidadania de São José dos Campos, eu é que agradeço muito a honrosa participação neste encontro fundamental e muito importante para todas e todos! 

Foi emocionante, gratificante e enriquecedor para mim compartilhar tantas experiências e sentimentos repletos de carinho, sabedoria e força de vontade por um mundo mais humano e inclusivo! 

Estou sempre à disposição para colaborar com tudo o que for preciso para multiplicar nosso conhecimento ao maior número de pessoas! Beijos e abraços carinhos, Leandra. 

PS: ainda penso em mudar para São José (rsrsrs), porque tem tantas ações boas acontecendo... Força!!!  

Leandra Migotto Certeza