sexta-feira, 13 de maio de 2016

Viva o corpo!



Obra de arte de Rosa Esteves

Queridas e queridos,
 
Quando escrevo essas palavras o sol se põe no horizonte da janela do meu quarto. A chuva parou e uma mistura fina de amarelo claro e alaranjado pairam no ar. As nuvens brancas se esfarelam, e um fino fio de azul surge tímido lá do fundo. Sinto PAZ em meu coração.
 
Tive o prazer de ver um trabalho de uma vida inteira. Emoção. Alegria. Conhecimento. O site de Rosa Esteves é uma viagem ao corpo da alma. À alma do corpo. Ao corpo do corpo. Ao universo do imaginário do que é o corpo e onde habita a alma.
 
Minha viagem está só começando. Conheço minha querida e amada tia há 30 anos, mas sua obra é ainda um grande mistério para mim. O que fica mais forte em minha alma é a delicadeza do toque na pele, do doce na boca, do mergulho em nossos desejos, sonhos, e vivências mais íntimas que seu trabalho nos mostra.
 
A mulher é um universo profundo. Começo a mergulhar nela aos 30 anos, quando meus desejos se afloram. Meu corpo sempre foi fraco, intocável. Meus desejos sempre estiveram no mais profundo poço do inatingível. Pecado tocar. Errado querer. Feio. Todos apotam. Todos comentam. Todos olham. Eu nunca pude dizer há que vim. O que sou. O que desejo. O que espero. O que luto. O que preciso mostrar.
 
Sempre fui tolhida. Sempre fui quebrada. Sempre senti dor. Sempre me senti presa a um corpo infantilizado. A um meio corpo. A uma meia criança-menina-mulher. A algo indefinido.
 
A busca por uma paz interior é como o por do sol que agora é lilás da minha janela. A linha é muito tênue. O medo é maior do que o azul claro que agora toma conta do céu.
 
Hoje quebro. Mas não o corpo. O que ele realmente é. A massa una entre alma e carne. Entre desejo e pudor. Entre vida e morte. Entre explosão e dor. Entre prazer e abrigo. Entre eu e muitas pessoas que moram em minha alma.
 
O corpo de uma mulher é múltiplo. É preciso mostrar ao mundo cada pedacinho que pulsa em corpos diferentes. São bocas em cabeças tortas, pernas grossas e curtas, bumbum arrebitado e torto, coxas arredondadas e cheias de ruguinhas infantins, púbis ardendo de tesão, seios pequenos em um tronco pequeno demais.
 
Não há cintura, não há quadril definido. Não há pernas finas e compridas. Não há balanço dos quadris. Não há andar sensual. Não há mini saia que leva ao mistério escuro como o céu que agora está em minha janela.
 
Não há uma mulher padronizada, robotizada, perfeita! Não há o esperado. Há outra possibilidade de ser mulher inteira com todos os sentimentos e sentidos que pulsam do corpo de alguém que sempre foi quem é.
 
Amar e ser amada trouxe força a minha alma para conseguir se libertar do corpo da sociedade que sempre me toliu. Da mãe interna que sempre me proibiu de ser eu mesma. Da mãe externa que sempre teve medo de me ver despedaçada.
 
Falar, mostrar, e trabalhar o corpo como Rosa Esteves faz é algo fundamental em um mundo tão superficial. Tão triste. Tão oco. Tão frio. Tão igual. Tão egoísta. Tão pequeno.
 
O corpo é grande. É forte. É pulsante. É vivo! Viva o CORPO!

 
Leandra Migotto Certeza - escritora, jornalista e ativista social - Texto escrito em 08/04/07.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

XV Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana

É com satisfação que comunicamos a XV Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana, de 19 a 23 de outubro de 2015. O tema oficial é SEXUALIDADES: NOVOS OLHARES E NOVAS PERSPECTIVAS.

O grande diferencial deste ano é que a SBRASH decidiu realizar este evento totalmente online, democratizando o conhecimento e tornando livre o acesso dos saberes.

Durante 05 (cinco) dias, profissionais de renome estarão debatendo e expondo valioso conteúdo científico com o foco na pluralidade da sexualidade e das questões de gênero.

Profissionais, estudantes de todo o Brasil e também de outros países acompanharão, em tempo real, via internet, conferências, mesas redondas e temas livres. Será possível o envio de opiniões, perguntas e dúvidas que fomentarão o debate, enriquecendo o evento.

Será o primeiro evento na área da Sexualidade Humana exclusivamente online, cujo formato ultrapassa o conceito de mera exposição acadêmica, na medida em que incentiva a construção democrática do saber.

Em breve o site do evento estará no ar com todas as informações. Sejam todos(as) bem-vindos(as)!

Iracema Teixeira
Presidente da SBRASH - Gestão 2014-2015
Presidente do XV Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana

Fonte: http://www.sbrash.org.br/noticias/42-diretoria/154-xv-congresso-brasileiro-de-sexualidade-humana-2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Profissional, mulher, esposa e mãe com Osteogenesis Imperfecta

O Programa Especial desta semana é todo dedicado a Luciana Fiamoncini, que trabalha com recursos humanos e tem osteogênese imperfeita, também conhecida como ossos de vidro. Ela mora em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, é casada e tem um filho chamado Rafael. Conversamos com ela, com sua família e também com alguns colegas de trabalho.
Sentada na cadeira de rodas, Luciana segura o filho no colo e dá mamadeira para ele.
Em nossa ida a Camboriú, uma das conversas que tivemos com Luciana foi em um dos pontos mais bonitos da cidade em que ela mora, a praia Brava. Ela falou sobre o relacionamento com o marido, com quem já está há quatro anos:
“Quando eu conheci o Rodrigo, ele era muito caseiro, tanto que, no começo, a gente brigou inúmeras vezes, porque eu queria ir para a balada com as minhas amigas e ele não queria ir. Até que a gente entrou em um equilíbrio. Um final de semana a gente saia, o outro final de semana a gente ficava em casa e por isso que começou a dar certo. O tempo foi passando e eu comecei a gostar daquela brincadeira de namorar, e eu fui abrindo mão das outras coisas. Aí, a gente começou a fazer realmente planos juntos, de comprar carro, essas coisas.”
Luciana é funcionária pública e trabalha com RH. Paulo Roberto, um dos colegas de trabalho, falou sobre como é trabalhar com Luciana:
“A Luciana tem um perfil forte, ela bate o pé, dá bronca, as pessoas a respeitam pela forma e a maneira que ela conduz. Em qualquer empresa, setor público ou privado deveria abrir esse espaço para a inclusão das pessoas com deficiência.”
Visitamos a casa de Luciana para saber como é o dia a dia dela com o filho Rafael, que também tem osteogênese imperfeita. Ela falou sobre o futuro do filho:
“Em relação à criação do Rafael, eu pretendo seguir mais ou menos a mesma linha que foi dada para mim. A questão de incentivo, de apoiar, de incentivar. O que vai mudar um pouco é a questão de acessibilidade a tratamentos, que eu não tive. Os meus pais não tiveram acesso a nada disso, não tinham conhecimento, não tinham condições financeiras. Hoje em dia, nós podemos oferecer isso para o Rafa. Ele vai ser tratado igual a qualquer criança e vai ser cobrado como qualquer criança. No futuro do Rafael, nós queremos ter condições de oferecer estudo para ele, para ele ter uma profissão, constituir a família dele, ter uma vida como qualquer outra pessoa.”
Ainda neste programa, você vai acompanhar nosso repórter Zé Luiz Pacheco no quadro Desafio. Ele vai se aventurar andando de handbike, uma bicicleta adaptada em que os movimentos são feitos com as mãos.
Fonte: http://programaespecial.com.br/blog/577-perfil-luciana-fiamoncini

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Leandra fala sobre sexualidade da pessoa com deficiência em rádio francesa


Fonte: http://www.portugues.rfi.fr/geral/20150525-franca-debate-o-acompanhamento-sexual-pessoas-com-deficiencia
 

5 de Maio de 2015
França debate o acompanhamento sexual a pessoas com deficiência
Cena do filme "As Sessões", de Ben Lewin, no qual Holly Hunt vive Cheryl, a acompanhante sexual de Mark, portador de deficiência física interpretado por John Hawkes.
Cena do filme "As Sessões", de Ben Lewin, no qual Holly Hunt vive Cheryl, a acompanhante sexual de Mark, portador de deficiência física interpretado por John Hawkes.

Divulgação
Daniella Franco
 
Com o recente lançamento do livro "En Dépit du Bon Sens" (em português, "Apesar do Bom Senso"), autobiografia de Marcel Nuss, célebre militante pelos direitos das pessoas com deficiência, a França voltou a falar sobre a assistência sexual a pessoas com necessidades especiais. A atividade, que já foi adotada em alguns países europeus, é proibida na França porque é considerada uma forma de prostituição.

Marcel Nuss sofre de amiotrofia espinhal, uma doença degenerativa, que compromete gravemente o sistema respiratório e atrofia os músculos. Em seu novo livro, o militante descreve seus sessenta anos de luta, de maus tratos médicos e administrativos. Também denuncia a incompetência de políticos no tratamento de questões relacionadas aos direitos e ao bem-estar das pessoas com deficiência física na França.

Na obra, Nuss também fala da criação da Associação Para a Promoção do Acompanhamento Sexual (Appas), na cidade de Erstein, no nordeste da França. "A assistência que propomos tem o objetivo de ajudar as pessoas com deficiência a desenvolver sua autoestima e sua confiança. Isso permite que elas descubram seus próprios corpos", disse, em entrevista à RFI.

A ideia divide os franceses, encontra resistência de muitas organizações e fica estagnada no âmbito político. Entrevistada pelo jornal Libération, a presidente da associação Femmes pour le Dire, Maudy Piot, que milita pelos direitos das mulheres, classifica o trabalho dos acompanhantes sexuais de pessoas com deficiência física como um "comércio do corpo". "Uma prestação sexual com hora e dias marcados! Onde está o desejo? Onde está o amor?", questiona.

O governo francês lava as mãos quando a questão vem à tona. Em 2011, o deputado do partido UMP Jean-François Chossy apresentou na Assembleia francesa um relatório onde ressalta a necessidade "de todas as pessoas receberem a assistência humana necessária para a expressão de sua sexualidade" e onde faz um apelo por um debate ético e jurídico sobre a questão. Em 2012, o presidente François Hollande prometeu promover um debate sobre o acompanhamento sexual a pessoas com necessidades especiais na sociedade francesa. Em 2013, o Comitê Consultativo de Ética francês se pronunciou sobre a questão se manifestando sobre o "princípio da não utilização comercial do corpo humano". Desde então, a discussão está estagnada.

Atividade é reconhecida em sete países europeus, EUA e Israel


A assistência sexual já é uma realidade em Israel e nos Estados Unidos, onde o debate sobre a atividade também é intenso. Em 2012, o longa The Sessions (As Sessões), do diretor Ben Lewin, contribuiu para popularizar a prática no país. Na Europa, a atividade é reconhecida na Alemanha, Holanda, Dinamarca, Suíça, Áustria, Itália e Espanha.


Embora ilegal, o acompanhamento sexual não deixa de acontecer na França. Várias associações francesas relatam receber pedidos frequentes de pessoas com deficiência física que procuram acompanhantes sexuais. Em muitas organizações, os contatos dos acompanhantes são colocados à disposição dos interessados. 
O trabalho e a militância dos assistentes ajudam a desmistificar a atividade. Em vídeos publicados na internet, Jill Prêvôt-Nuss, assistente sexual da Appas e esposa de Marcel Nuss, define o acompanhamento sexual como uma forma de terapia corporal e psicológica que não pode ser banalizada. "As pessoas com deficiência são geralmente tocadas todos os dias por dezenas de mãos para serem vestidas, lavadas, carregadas, alimentadas, mas nunca acariciadas sexualmente. 

A sexualidade é um direito fundamental que diz respeito à saúde e a liberdade de cada um", defende. Com base no interesse crescente e desafiando a justiça francesa, a Appas promoveu, em março, a primeira formação de assistentes sexuais no país em Erstein, perto de Estrasburgo, no nordeste da França. O evento quase foi cancelado de última hora, depois que a direção do hotel onde seria realizado alegou temer ser processada por proxenetismo. Mas uma decisão do tribunal de Estrasburgo obrigou o estabelecimento a acolher o evento por considerá-lo como uma "formação pela educação sexual geral".
"O que defendemos é um direito fundamental à vida afetiva e sexual para as pessoas com deficiência. E sobretudo feito por pessoas e para pessoas que fazem essa escolha livremente. É preciso que todos entendam bem isso", explica Jérémy Kolbecher, um dos administradores da Appas.

No Brasil, ainda é tabu 

Mas, em muitos países, como o Brasil, a assistência sexual não é nem mesmo conhecida. A sexualidade das pessoas com deficiência física, para os brasileiros, ainda é tabu, explica a jornalista e consultora em inclusão e diversidade, Leandra Migotto Certeza. "Há essa ideia de que as pessoas com deficiência são assexuadas. A questão é pouco discutida mesmo no meio acadêmico e entre os militantes", observa.

Leandra ressalta que o pior preconceito é o que acontece dentro das famílias das pessoas com deficiência. "É preciso que todos estejam cientes que a sexualidade não deixa de existir porque você a pessoa tem uma deficiência. Mesmo estando em uma cadeira de rodas ou com tetraplegia, as pessoas têm desejo sexual", ressalta.

O psicólogo, fundador do blog Inclusão Diferente e autor do livro Sexualidade e Deficiência, Damião Marcos, conta que muitas famílias resolvem a questão da experiência sexual de parentes com deficiência de forma inapropriada. "Alguns familiares levam seus filhos ou filhas para prostíbulos. Como no Brasil não existe esse acompanhamento sexual para as pessoas com deficiência, as famílias que entendem essa necessidade não têm outra saída", conta.

Fantasias Caleidoscópicas

Pensando nesse vácuo sobre a sexualidade das pessoas com deficiência no Brasil, Leandra criou, em parceria com a fotógrafa Vera Albuquerque, o projeto Fantasias Caleidoscópicas, um ensaio fotográfico sensual de pessoas com deficiência física. "O objetivo é desmistificar o tabu da sexualidade da pessoa com deficiência e também de mostrar a realidade dessa beleza e dessa estética."


A jornalista e consultora em inclusão e diversidade,
Leandra Migotto Certeza, idealizadora do projeto 
Fantasias Caleidoscópicas, 
ensaio fotográfico que tem objetivo de desmistificar 
o tabu da sexualidade de pessoas com deficiência.
Vera Albuquerque/Fantasias Caleidoscópicas

As fotos são expostas com os relatos dos modelos: homens, mulheres e casais hétero e homossexuais. Além disso, o projeto também conta com um documentário e oficinas educativas interativas sobre saúde sexual.

Fantasias Caleidoscópicas foi premiado no 6º Congresso Internacional "Prazeres Dês-Organizados – Corpos, Direitos e Culturas em Transformação”, em Lima, no Peru, em junho de 2007. Leandra e Vera trabalham agora na sequência do projeto e buscam patrocínio para a realização dele.


Ouçam o áudio com a entrevista nos links:

https://sites.google.com/site/leandramigotto/

https://sites.google.com/site/leandramigotto/palestrasmotivacionais/trajetoria-da-caleidoscopio/portifolio-de-audios

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Palestra sobre sexualidade da pessoa com deficiência




Gravação da palestra realizada na REATECH - Feira Internacional de Reabilitação, Inclusão e Acessibilidade em 11 de abril de 2015.

O som está um pouco comprometido devido a má acústica. Mas dá para ouvir o mais importante: a mensagem da palestra. Agradeço a todos que tenham interesse e disposição para companhar mais esse trabalho que eu realizei com tanta dedicação e carinho.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Projeto Fantasias Caleidoscópicas será apresentado na REATECH dia 11 de abril às 14hs




Atenção!


Mais uma palestra da Caleidoscópio 

Comunicações na REATECH - Maior Feira 

Internacional de Tecnologia, Inclusão e 

Acessibilidade da América Latina!


O tema será: "Sexualidade da Pessoa com 

Deficiência"


Palestrante: Leandra Migotto Certeza - Jornalista e Consultora em Inclusão, com 15 anos de experiência e premiada com o projeto "Fantasias Caleidoscópicas" no Peru


Compareçam dia 11 de abril, sábado às 14hs no 

REASEM!


Informações e inscrições gratuitas: 


http://www.reatech.tmp.br/reasem-seminario-de-tecnologias-de-reabilitacao-e-inclusao/



Conheça o projeto:

Fantasias Caleidoscópicas é um projeto de pesquisa de arte e comunicação que busca retratar a imagem (na maioria das vezes, ainda muito preconceituosa) que a sociedade tem em relação à sexualidade das pessoas com deficiência no Brasil e no mundo, e desmistificá-la por meio de: 

Ensaios fotográficos, pesquisas, entrevistas, capacitação educacional (seminários, palestras, debates, oficinas e cursos), exposição de arte e duas publicações totalmente acessíveis. 

Desde 2004 pessoas com deficiência física, visual, auditiva, intelectual, múltipla e surdocegueira, com gêneros, idades, etnias, identidades sexuais e condições sócio-econômicas diferentes foram convidadas pela fotógrafa Vera Albuquerque, junto com a jornalista, Leandra Migotto Certeza a mostrarem sua beleza e sensualidade; além de relatar suas experiências afetivas e sexuais.

O projeto foi premiado em segundo lugar pela Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade no Peru em 2007.

Para a fotógrafa, questiona-se o padrão de beleza instituído pelos meios de comunicação e pela moral dominante – ressaltando a possibilidade de uma democratização do prazer, uma igualdade de direitos sexuais, e uma disposição das mentes (e dos corações) contra os juízos prévios e os preconceitos.


Para a jornalista, dar voz às imagens é tão importante quanto o registro fotográfico, pois é interessante conhecer as histórias de vida dessas pessoas, que em sua maioria ainda são bem pouco ouvidas!  

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

La sexualidad de las personas con discapacidad

http://www.asodispro.com/index.php/comunidad/sexualidad/125-la-sexualidad-de-las-personas-con-discapacidad

La sexualidad de las personas con discapacidad

 Categoría: Sexualidad
Foto de mí buscando el perfil del horizonte de mis hallazgos en 1999. Una fotografía de Vera Albuquerque, ubicada en San Sebastián, costa de Sau Paulo en una hermosa casa. Estoy con un vestido estampado con rosas de color azul y rosado. A continuación se presenta un amplio reportaje publicado en la República del Brasil, en donde se describe la capacidad sexual de personas con diversas discapacidades. El tema es desarrollado mediante entrevistas con expertos en materia de sexualidad y discapacidad. El reportaje es escrito por la laureada periodista brasileña Leandra Migotto Certeza. ASODISPRO tiene el gusto de presentar una exhaustiva traducción libre del artículo originalmente escrito en portugués.
La sexualidad de las personas con discapacidad
La sexualidad es parte de la vida de cualquier ser humano ya sea una persona con discapacidad o no. Va más allá del sexo, que es sólo su componente biológico. "Es mucho más que simplemente tener un cuerpo desarrollado o en desarrollo, capaz de procrear y tener deseos sexuales", dice la consejera sexual Helena Brandão Gherpelli en el libro "Diferentes, pero desiguales" (Celebridades Editor) (1).
De acuerdo con Ana Rita quien ostenta un doctorado en psicología clínica y una maestría en psicología social, la sexualidad se asocia con el desarrollo de la afectividad, la capacidad de ponerse en contacto consigo mismo y con otros, elementos clave para construir la autoestima. Para también co-autora del libro: "Sexualidad y Discapacidad: Rompiendo el Silencio" (Expresión y Arte Editorial), nuestra cultura tiende a reducir la sexualidad a la función genital y reproductiva, sin tener en cuenta la importancia de los sentimientos y las emociones derivadas de proceso educativo y la vida del individuo. Y cada uno puede vivir muy bien - y completamente - su sexualidad, de acuerdo con lo que sus circunstancias lo permitan (2).
Ana Rita (que tiene una discapacidad física) en su libro, la belleza es en realidad una condición biológica (no estética). "Es hermoso que sea simétrica, y las leyes de la naturaleza, es simétrico más probabilidades de ser sanos, por lo que es más capaz de propagar sus genes. La apariencia física es un componente importante para la atracción en la fase inicial de las relaciones inter-personales, mientras que la inteligencia y la personalidad tienen un papel secundario en este mecanismo "(3).
Calamus Marcela Silva Vaz, de 42 años, maestra y madre de dos niños. ¿No te parece que la sexualidad es una cuestión que debe resolverse a través de modelos preestablecidos en los medios de comunicación? A la edad de seis años, quedó parapléjica debido a una infección en la médula ósea. Dice: Desde el principio del mundo, la “hermosura" siempre atrae más, pero eso no significa que se debe de vincular con alguien, que por “bello” es elegido. Hay otros factores importantes, que no necesariamente están relacionados con la estética. Si el problema de la soledad se resolviera con belleza, no existiera tanta gente sola; y cada vez es más común encontrar personas solas en estos días. " Psicólogo Phulmann Fabiano (4).
Marcela no está de acuerdo, y advierte que en nuestra sociedad, la belleza física y la perfección son todavía muy valiosas, y muy publicitadas por los medios de comunicación, haciendo que se asigne erróneamente o que se restrinja la sexualidad al aspecto físico. Para un compañero de ella miembro de la Sociedad Brasileña de Sexología Humana: "Antes todo esto, no es sorprendente que las personas con discapacidad, en general, vienen a ser considerados como enfermos y asexuales. Mientras que quién no tiene ninguna discapacidad puede sentir una molestia en la presencia de alguien que tiene una discapacidad.”
De acuerdo a Fabiano, quien es tetraplejico (persona con parálisis parcial de las piernas y los brazos), la deficiencia puede plantear una mezcla de sentimientos: la atracción y repulsión, directamente relacionada con el temor que tienen las personas sin discapacidad de adquirir una discapacidad (5). El gran problema es que, según la bióloga y experta en sexualidad humana, Cecilia Arletty Pinel, por desgracia, las personas con discapacidad siguen siendo idealizadas como seres frágiles, que tienen múltiples discapacidades, personas pobres a las que se les tienen que ocultar todo lo que les pueda lastimar.
El personal del Instituto de Estudios e Investigaciones, Amamkay, responsable de la investigación: "Las personas con discapacidad y el VIH / SIDA: las interfaces y las perspectivas: un estudio exploratorio", señala el mito de la fragilidad y la invisibilidad que la sociedad tiene en relación a la sexualidad de personas con discapacidad. Uno de los principales resultados publicados por el instituto en 2009, fue que tanto entre las familias, los profesionales y educadores, aun es bastante fuerte el mito sobre la sexualidad de las personas con discapacidad, pues se piensa es de naturaleza intrínsecamente problemática y patológica. Muchas personas apenas pueden imaginar que esa persona (con discapacidad) puede, incluso, siente el deseo de ser capaz de relacionarse sexualmente con amor, contraer matrimonio y formar una familia "(6).
Historias de amor
De acuerdo con la Trabajadora Social en Administración, con un Doctorado en Psicología Clínica, Ana Rita de Paula, la sexualidad se desarrolla a partir de la forma en que nos vemos a nosotros mismos, así como en la percepción de la forma en que los demás nos ven. A pesar de los sentimientos de placer surgen en el cuerpo material, la sexualidad se construye y se expresa en el cuerpo simbólico, es decir, el cuerpo que tenemos en mente, la imagen que hacemos de ella, las fantasías que tenemos con él."Sabemos lo que nuestro cuerpo hace para caminar o para hacer el amor; de la misma manera que sabemos que se debe hacer para salir del dolor, la enfermedad y las emociones. Este bagaje incluye experiencias físicas y psicológicas, reales e imaginarios, de presente y pasado. "(7).
Para estos expertos, muchas personas con discapacidad sólo tienen experiencias distantes de placer. "Durante años, su cuerpo fue (o es, será) objeto de un tratamiento médico, de rehabilitación o reparación que no contribuye a despertar lo erótico en el individuo. Más bien, el punto es equivocado, diferente, puesto que tiene que ser «permanente», «normalizarse», de lo contrario será siempre un cuerpo enfermo. Como si esto fuera poco, el espejo para el mundo es un modelo de cuerpo perfecto. ¿Cómo lo es, entonces, la autoestima de las personas con discapacidad? La tendencia no es encontrar atractivo, pero él duda de que puede ser objeto del deseo de los demás. "(8).
Según el Psicólogo Puhlmann Fabiano, la gente frecuente al ver a un hombre con discapacidad en compañía de una hermosa mujer que no tiene discapacidad, suele pensar de inmediato: que es la compasión o el tipo es rico. Nadie se imagina que estas personas tienen una vida sexual activa. "Uno de mis clientes, una mujer que nació con una discapacidad, estaba embarazada. A tomar un taxi, el conductor preguntó quién era el que lo hizo (en referencia a su abdomen). Como si ella hubiese sido violada y no hubiese optado por un embarazo convencional, como todos los demás, o como si no fuera una persona capaz de ser fructífera en su sexualidad. "
En el siglo XXI, aun se cree que las mujeres y los hombres con discapacidad no deben tener sexualidad. Por ello tienden a ser vistos como seres infantiles, quienes deben ser protegidos y cuidados - (esta posición es aún bastante común, especialmente con adolescentes con discapacidad intelectual). Este estigma también tiene otros grandes errores. Por ejemplo, se piensa que las mujeres con discapacidad, en silla de ruedas, no pueden tener hijos o disfrutar del acto sexual, o que las mujeres y / o ciegos tienen un toque sensible, lo que haría las relaciones sexuales más placenteras. También se cuelga el mito de que las personas con discapacidad intelectual son unos desvergonzados, con desventajas y que se masturban compulsivamente, esto por tener una supuesta agravada sensación sexual y sin gobierno. Por último, hay muchas ideas falsas que deben ser rotas.
No es cierto que las mujeres con discapacidad física o motriz, no puedan tener hijos, porque no existe una relación entre la discapacidad (sea lo que sea) y la fertilidad, a menos que la infertilidad sea causada por factores externos a la discapacidad, al igual que con las mujeres sin discapacidad. La mujer o el hombre con discapacidad visual puedan ejercer su sexualidad y no utilizar el tacto, así como elegir si tener hijos o no. Las personas con discapacidad intelectual puedan ejercer su sexualidad, respetando las convenciones de lo que se puede hacer en público o no. Es importante señalar esta información a la sociedad, pues muchos nunca tuvieron la oportunidad de vivir con un hombre o una mujer con discapacidad, y probablemente usted lleva estos conceptos erróneos. También es fundamental que los adolescentes con discapacidad aprendan a reconocer su sexualidad. Es precisamente debido a este auto-reconocimiento de la sexualidad por lo que los demás verán a la persona con discapacidad con el atributo sexual, y como una posibilidad en el amor.
Para Marcela: "las personas que tienen la oportunidad de tener contacto con los demás, tienen más probabilidades de relacionarse. En el caso de las personas con discapacidad, una serie de factores afectan, tales como las barreras arquitectónicas, (que impide el acceso a plazas), y los prejuicios de los que lo ven como seres inmaculados, etc.¿Quién con discapacidad no ha querido salir de casa, sin poder hacerlo para "estar" con alguien? En las comunidades de Orkut en Internet se puede observar que las personas con discapacidad buscan las mismas cosas que las personas sin discapacidad, incluidas las relaciones que implican el amor y el sexo. Nadie está buscando atención, puesto que buscan un compañero (a) para vivir una relación donde haya, sobre todo, la reciprocidad."
La periodista y doctora en Comunicación y Semiótica del curso y profesor de Comunicación y Turismo de la Universidad Federal de Paraíba, Joana Belarmino (que tiene discapacidad visual total), está de acuerdo con Marcela. Para Jane: "La sociedad ha evolucionado, material y culturalmente para ampliar los espacios de ejercicio de sus grupos. Sin embargo, en las prácticas cotidianas y las costumbres, se aferra a la primera en la creación de arquetipos de los seres humanos, lo que motivó el estigma y el prejuicio, por lo que persiste para nosotras las mujeres, ciegos, sordos, con limitaciones físicas o de otros oligoelementos la desventaja de descalificación, el desprecio, o la consideración de nosotros mismos, de la sobre valoración de nuestras discapacidades, como el fracaso más visible. Esto evita que un sentido de nosotros mismos como seres humanos en general."
"Una pregunta que siempre preguntan es: si mi esposo tiene una discapacidad. Piensan que es natural que una persona con discapacidad quieran unirse a otra de igual condición o similar, puesto que suponen que esta pudieran entenderla completamente, y, en consecuencia, serían más felices. No tengo nada en contra de quien quiera unirse a ese "único ser", pero yo no entiendo la forma de pensar, ya que no se como la “igualdad”, aumentará la posibilidad de que la felicidad sea mayor. Crecí con la gente cuyas creencias, pensamientos, cultura y limitaciones son diferentes de las nuestras. Vivir con diferencias siempre nos hace crecer, cualesquiera que sean, aunque generan oposición y discriminación de ghettos y grupos cerrados. Entonces, ¿Por qué algunas personas con discapacidad creen que sólo se aceptarán y serán felices en unión con otras personas con discapacidad?, Marcela le pregunta en su blog: http://www.tchela.blogspot.com/."Cuando nació Ricardinho, toda mi familia celebró. No era sólo otro niño en la familia, sino más bien, “el hijo de Marcela”. Se cuestionaron lo mismo que cuando Marcela era niña, como las cuestiones de conciencia sobre su futuro. Si alguien todavía se preocupa por la diferencia que hacia mi paraplejía en mi vida, sobre mi capacidad reproductiva y la felicidad; después de la llegada de Ricardinho todo eso fue pasado por alto definitivamente. Las dudas dieron paso a la certeza."
"Empecé a salir más tarde. Pensé que nadie me aceptaría. En un momento la Parálisis Cerebral (PC) me hizo sentir tonta, aún más rechazada. Pude ver mis horizontes más imposibles todavía. Y es que hay muchas dificultades en relación al sexo. Hay algunas cosas que son difíciles aún. Las posiciones y los músculos que no funcionan como deberían, otros que trabajan más de lo debido. Quise sostener relaciones sexuales con un brazo de apoyo y no puede. No es igual a lo que los demás hacen. Todo depende de una adaptación. Usted debe tener un socio colaborador muy grande, especialmente cuando se tiene la espasticidad, que es incontrolable. No sé de otra persona con PC que esté casada. Sé que la gente con hemiplejia y paraplejia se casan, pero no se de personas con PC ", declaró Mary (nombre ficticio), entrevistado para el libro" parálisis cerebral - Construcción de la identidad en la exclusión "(Cabral University Press), escrito por, Suely Harumi Satow, master y doctor en la psicología social, y el grado de bachiller en filosofía y los medios de comunicación (9).
Para Suely, que tiene una alteración motora cerebral (IMC erróneamente popularizada como PC - parálisis cerebral) las personas con índice dificultoso de masa corporal, pueden pasar por más dificultades que otras personas con discapacidades, especialmente con respecto a su sexualidad (10). "Sé que el CP no es hereditario, pero estoy realmente asustada de tener un hijo discapacitado. Yo no creo que tenga la fuerza para tener un parto normal. Todavía me siento muy avergonzada de mí misma, puesto que esto es lo que es difícil de aceptar para las personas ", dijo María del Suely.
Para el profesor y el estudiante de doctorado en psicología, Bader Burihan Sawaia, debemos entender que la exclusión no es un estado que algunos tienen y otros no. No hay exclusión versus inclusión. Ambos forman parte del mismo proceso - la inclusión "a través de la exclusión" - la cara moderna del proceso de explotación y dominación. Los excluidos no están al margen de la sociedad, participa en ella, y más restaura y mantiene, pero sufre mucho, porque está incluido por la humillación y la negación de la humanidad, aunque tenga la participación de los derechos sociales en el ámbito jurídico. Según el Dr. Bader: "El objetivo es la inclusión de la humillación de las formas más variadas, desde la inclusión de la" exótica "a la inclusión por la misericordia" (personaje pobre), y tiene una sola causa. El estigma de tener una discapacidad compenetran otras determinaciones como la clase social, género, etnia y capacidad para la auto-diferenciación de los individuos mediante el establecimiento de diferentes estrategias de objetivación y codificación de las diferencias "(11).
Por lo tanto, hay muchos prejuicios entre la unión de una persona con discapacidad y otra sin él. Sidney T.Souza y Deborah K. Souza, casados por más de 21 años, tienen dos hijos adolescentes. Debbie, de 43 años es representante de ventas y no tiene ninguna discapacidad. Sydney, 43 años, él es totalmente ciego, tiene una licenciatura en Administración de Empresas y analista de sistemas. "Era común que la gente al vernos juntos nos dijeran que eramos hermanos. Soy de piel oscura, ojos marrones y mi esposa es muy blanca, y tiene los ojos verdes. No hay nada que nada que nos hiciera parecidos como hermanos. Cuando les decíamos que estábamos enamorados algunos decían: ¡Felicitaciones! Pero en el fondo cuestionaban con prejuicio: ¿Como un ciego podría conseguir una novia? O ¿Cómo una joven bella, podría estar dispuesta a convivir con un ciego? Además, un colega de mi esposa quiso influenciar, por suerte poco convincente, este hizo un comentario despectivo al saber que ella estaba saliendo con migo. El comentario fue: Estás matando el grito del perro?" (este comentario traducido literalmente, quizá con sentido más amplio en portugues) (12).
En cuanto a la pareja de Claudia Sofía Pereira y Carlos J.Rodríguez; ellos se enfrentan al prejuicio, en primer lugar, procedentes de algunos miembros de la familia de Carlos, que estaban preocupados porque ambos son sordociegos (discapacidad sólo de la vista y visual simultáneamente en diferentes grados) (13). "Ellos pensaban que no eramos capaces de tener una vida independiente. Salimos tres años, y nos conocimos en 1994 por correspondencia en Braille. Nos casamos hace 2 años y 6 meses, y estamos muy felices. No tenemos hijos, pero será lo que Dios quiera, yo quisiera a lo sumo dos hijos." Dice Claudia.
Carlos, de 48 años, director deportivo del Grupo Total de Brasil, es sordo y tiene poca visión, mientras que Claudia, de 39 años, es sorda y ciega total y es coordinadora de la Asociación Brasileña de sordociegos. Esperan que los surdosciegos tengan un mejor futuro en relación a la sexualidad, porque saben que muchos siguen sufriendo discriminación. Claudia declara que también es muy importante que la sociedad sapa que las personas con discapacidad tienen la capacidad de tener una relación amorosa y feliz. (14)
La felicidad también está presente en la vida de Rita N. Pokka, de 27 años. En 2003, se casó con Ariel J. Goldenberg, 27 años, también con discapacidad intelectual. Ariel siempre dice que todas las personas con síndrome de Down tienen el derecho de soñar, trabajar, casarse, y si lo desean, vivir solos después del matrimonio. "El matrimonio para mí representa a dos personas que se aman mucho y que tienen respeto el uno por el otro. No sólo en el amor, sino también en el sexo y la cama. Una pareja tiene que mucho que dar en algunas cosas. Dar atención, amor, afecto y comprensión. En el matrimonio no debe haber nada de peleas y discusiones. Tienes que haber paz, armonía y amor. Cuando yo iba junto con mi padre para el casamiento con Ariel y observé allí, frente a mí, un traje gris muy bonito, me sentí muy emocionada, porque a partir de ese momento me quedaría para siempre con el hombre que amo ", dice Rita. "Cuando observé a Rita venir vestida de novia del brazo de su padre me conmovió tanto, que derramé algunas lágrimas. Le di las gracias a Dios puesto que mi gran sueño se estaba haciendo realidad, me casaría con la mujer que amo ", confiesa Ariel (15).
El Publicista, Hélio da Silva Potter y la enfermera, Kenya M.Pottes Hubner, ambos de 52 años, también han sido felices durante los últimos 18 años. Del matrimonio de dos personas con enanismo acondroplásico, estudiantes de gente pequeña, nació María Rita, 16."Creo en nuestra sexualidad dentro de los parámetros de la normalidad. La preocupación que teníamos era el tiempo del embarazo debido a que éramos estudiantes. Así que decidí utilizar un método anticonceptivo durante un tiempo. Entonces nos dimos cuenta que no podía seguir tomando anticonceptivos ya que subía de peso. Sin embargo, algunos miembros de nuestras familias estaban preocupados por el riesgo de concebir y el crear problemas de salud tanto para la madre como para el bebé ", dice Kenia. Para ella, por falta de conocimiento y cultura, nuestra sociedad considera a menudo a la persona con discapacidad "asexual". "Es pura ignorancia individual, pero las personas deben aprender que es más conveniente entender y respetar, puesto que aunque hay personas con diferente estado físico, ellas son muy similares a los demás en los instintos y las emociones", concluye Kenia (16).
La psicóloga Ana Rita explica que en los años ochenta la sexualidad, por fin, comenzó a ser tentativamente abordada en otros contextos, tales como: la adolescencia, el desempeño de los roles de género, embarazo y planificación familiar para las parejas con discapacidad. Para ella, estos estudios muestran ya una tendencia, aunque tenue, de elaboración de una disfunción, yendo más allá de una fijación en lo psicosocial y genital.
Sin embargo, como el enfoque del estudio de la sexualidad de las personas con discapacidad aún está en el desarrollo de técnicas de intervención clínica y asesoramiento para la integración social, todavía hay un sesgo de patologizar la sexualidad y la discapacidad. Hace poco el enfoque psicosocial tímidamente comenzó a tomar el centro del escenario. Así que el énfasis se coloca ahora en el derecho al ejercicio de una vida sexual satisfactoria, con la oportunidad de ganar el afecto y la autonomía a través de las experiencias emocionales y sexuales (17).
Los expertos dicen que el verdadero proceso de inclusión social efectiva debe extender estos estereotipos, promoviendo el rescate de la sexualidad y el erotismo de las personas con discapacidad. "La propia vida erótica del Ser, la libertad, movimiento, calor compartido. Una persona con discapacidad debe ser un hombre o una mujer en busca de placer, con responsabilidad y equilibrio, seguros de su capacidad de implicar a su ser querido para enamorarse ", explica el psicólogo Fabiano (18).
"Después de saberme un parapléjico, sin fuerza en mis piernas para mantenerme activa una relación sexual con una mujer, descubrí que la única manera era conseguir una posición privilegiada, si, esa que le da al hombre la oportunidad de contemplarla, y de ver mucho más allá de sentirse capturado por el interior femenino, y concluir de una vez por todas, que ella es la gran atrapada por él (...). Por el contrario en ella, la osadía de llegar a la eyaculación, se puso sobre la cabeza hundida en la cama - y peor aún- con los ojos cerrados. Sin piernas, pero bueno, he encontrado los dos órganos sexuales más extensos de mi cuerpo: mis ojos. Disfrute de relaciones sexuales y admiro los pormenores del erotismo femenino en su totalidad, en esa copa hay que dedicarse para dejarla llena: una eminencia triangular del pubis agravada por la apertura de los muslos, cintura volátil, que diluye sus brazos en gestos y orgasmos de vez en cuando, sintiendo yo la bendición de sentir sus pechos en mi boca." Escrito por el pintor Juan Carlos Pecci (19). Juan era un parapléjico (sin movimientos de los brazos y las piernas) después de un accidente de coche en 1968, y es autor de "Sailing Life" (publicado por Scott), una obra que relata su viaje para concebir junto a su amada, quien dio a luz una hermosa niña, después de aguantar muchos y grandes tratamientos; situación que hoy seduce en muchas vidas en todos los sentidos.
Uno de los aspectos más importantes de la sexualidad de las personas con discapacidad, de acuerdo con Fabiano, es la seducción. "Para atraer, la persona con discapacidad necesita saber cuáles son sus puntos fuertes. Si alguien piensa que no tiene poder de seducción, ya que tienen discapacidades, o porque la silla de ruedas le representa un peso enorme, entonces la otra persona siempre lo verá en el papel de su amigo. Esto hace que sea difícil para la persona que no tiene discapacidad el involucrarse en un nuevo horizonte. La persona sin discapacidad tiene ansiedad, miedo, resistencia; los que tienen discapacidad lo saben, pero puede ayudar a facilitar el encuentro. Si la persona con discapacidad puede relacionarse, en lo social, caminar, tener amigos: la posibilidad de tener una pareja es muy grande."
El psicólogo explica que para el pensamiento de una persona que comienza con una discapacidad es necesario redescubrir el cuerpo. Para él hay varias formas. "Lo principal es volver a jugar, ver las zonas sensibles y erógenas. Explorar la sensibilidad en su conjunto. Imaginemos una persona que sintió su cuerpo entero y de pronto deja de sentir. También es necesario utilizar algunos recursos para aliviar las sensibilidades, porque a veces, debemos invertir el camino al observar ciertas cosas. Si la persona con discapacidad es muy "cuadrada", es necesario para que sea más flexible, llevarla a cursos de danza inclusiva - donde la gente está tocado y desarrollar la sensibilidad - o quizá podría llevarse de viaje a una tienda erótica, para que vea lo que la gente compra, como juguetes para la masturbación, preservativos con extensión del pene y así otros artículos. Esto puede hacer que la persona con discapacidad empiece a ver el sexo no como un perdedor, sino más bien con humor." Concluye Fabiano.
Fabiano explica que nuestro crecimiento personal no sólo depende de los demás, sino de nosotros mismos. Con lucha, aprendizaje, así como estableciendo relaciones y puliéndonos a cada uno de nosotros, se puede dibujar el propio mapa del amor. La educación tiene mucho que ganar con el trabajo de los que se guían por los mapas del amor. La educación es fundamental, como también la disponibilidad para el placer. Requiere la competencia interna para organizarse y externamente para cumplir con los demás. Además de coraje para desnudarse de prejuicios, sobre todo cuando se trata de personas que están fuera de lo que erróneamente se considera una norma en la sociedad. Atributos tales como éstos son fundamentales para desmitificar la sexualidad de las personas con discapacidad, y entender lo que el pintor Juan Carlos Pecci dijo:
"... La unión sexual entre parejas, cuando uno de ellos es un parapléjico, no sólo permite a uno solo ser el conductor, sino la creación de un bastón para vencer el tiempo y la forma erótica. Induce una realización diversa: las manos hablando, pasando por los labios, los brazos, inventar las piernas. Multiplica tus dedos profundamente en las estrategias, donde la rigidez de un pene no puede mantenerse al día con el retraso necesario de un investigador. Proporciona la presión de un toque casi científico, que no es vergonzoso, y mucho menos notable (se recomienda la formación de un pétalo de rosas ...) La boca de lastre con la avidez de un recién nacido y una capacidad de conectar con el desenfreno, donde el ajuste de los labios es con una mayor competencia. Entro libremente en una tolva cuando el orgasmo es éxtasis, de alegría sin límites, y me paseo en su conjunto (cuerpo + mente) para participan en el goce de la mujer, aun sin sentir su cuerpo sobre el mío."
FIN
Traducción libre al español neutro, para Hispanoamérica de
ASODISPRO
Personas Productivas Con Discapacidad

fotografía en blanco y negro (fotógrafo Vera Albuquerque) Leandra de pie se apoya en una muleta, y con la otra mano en la cintura. La mirada - directamente a la cámara - es seductora. La sonrisa socarrona en su rostro es provocativa. La ropa sexy de encaje negro y transparente, completa la producción.“Lo que realmente nos debe llamar la la atención en la estética, es que como concepto implica diversidad, porque la belleza no es una forma única”        
Leandra Migotto es Licenciada en Comunicación Social en la Universidad Anhembi Morumbi, egresada en 1999, periodista con experiencia como consultora para la inclusión del Tercer Sector. Trabaja voluntariamente para defender los Derechos Humanos de las Personas con Discapacidad coordinados por las ONG de Derechos Humanos.
Las fotografías son parte del proyecto “Fantasías Caleidoscópicas, cuerpos diferentes, miradas reflejadas”, que Leandra encarna junto a la fotógrafa Vera Albuquerque. Fantasias Caleidoscópicas es una investigación que busca retratar la imagen (en la mayoría de los casos, parcial) que la sociedad tiene respecto de la sexualidad de las personas con discapacidad y para desmitificarla.
Respecto al proyecto Leandra dijo: “Siempre he estado orgullosa, incluso en medio de las prótesis, del dolor, de mis formas retorcidas, y la falta de piernas. Siempre me ha gustado sonreír. Siempre sentí atractivo por mostrarme. Por amarme, por quererme”
Este es el segundo ensayo fotográfico en blanco y negro. Leandra se encuentra con en el mismo atuendo, sólo que esta vez se extiende sobre un fondo gris, por lo que pareciera flotar. Está acostada de lado, con una mirada seductora, tiene los pies en el aire, con un toque de ingenuidad.
“La idea es decir a una sociedad anestesiada (esperamos que no esté ‘en coma’) con la dictadura de la belleza ideal, de la perfección, de los cuerpos saludables y bien torneados, de las formas esbeltas, que la seducción, las fantasías, los amores, las pasiones y la sensualidad están en la diversidad de cuerpos, miradas, perfumes, gestos, colores, formas, tamaños, palabras, texturas, sonidos y sentimientos, caleidoscópicamente humanos”, concluye Leandra.