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sexta-feira, 25 de setembro de 2020

Viva o corpo diverso!


Descrição da imagem: foto colorida de Carol Vidal. Leandra está sorrindo radiante sentada em sua cadeira de rodas. Ela segura o micro fone nas mãos, está com blusa e calça na cor preta por baixo. E por cima ela usa uma blusa na cor rosa brilhante e uma estola na cor prateada bem brilhante. Tem os cabelos e olhos castanhos claros e usa maquiagem e anéis e pulseiras brilhantes. Ao fundo está o cenário do encontro Boteco da Diversidade realizado no SESC Pompéia em 2017, onde aparece um adereço de teatro na cor prata bem brilhante com detalhes rosa. A foto está bem bonita e com uma luz linda.   


Texto de Leandra Migotto Certeza*


Sempre fui olhada, ‘esquartejada’, detalhada…

Sempre fui cochichada, fofocada, julgada…

Poucos se aproximavam para me conhecer.

Sempre fui tolhida. Sempre fui quebrada.

Sempre senti dor.


Sempre me senti presa a um corpo infantilizado.

A um meio corpo.

A uma meia ‘criança-menina-mulher’.

A algo indefinido…


Meu corpo sempre foi ‘fraco’, intocável.

Meus desejos sempre estiveram no mais profundo poço do ‘inatingível’.

Pecado tocar. Errado querer. Feio.


Eu nunca pude dizer há que vim.

O que sou.

O que desejo.

O que espero.

O que luto.

O que preciso mostrar.


Hoje quebro. Mas não o corpo.

O que ele realmente é: essa massa una entre alma e carne.

Entre desejo e pudor.

Entre vida e morte.

Entre explosão e dor.

Entre prazer e abrigo.

Entre eu e muitas pessoas que moram em minha alma.


O corpo de uma mulher é múltiplo.

É preciso mostrar ao mundo cada pedacinho que pulsa em corpos diferentes.

São bocas em cabeças tortas, pernas grossas e curtas, bumbum arrebitado, coxas arredondadas e cheias de ruguinhas ‘infantis’, púbis ardendo de tesão, seios pequenos em um tronco pequeno demais.

Não há cintura, não há quadril definido.

Não há pernas finas e compridas.

Não há balanço nas cadeiras.

Não há andar sensual.

Não há mini saia que leva ao ‘mistério escuro’.

Não há uma mulher padronizada, robotizada, perfeita!

Não há o esperado.

Há outra possibilidade de ser mulher inteira com todos os sentimentos e sentidos que pulsam do corpo de alguém que sempre foi quem é, mas tinha receio de se assumir.

Amar e ser amada trouxe força a minha alma para conseguir se libertar da sociedade que sempre me tolheu.

Hoje me sinto bem do jeito que sou. 
Sou diferente sim! Chamo a atenção. Mas quem não é? Quem não chama?



Eu não posso engravidar, mas tenho o direito de ser mãe tendo uma deficiência física!

Eu não posso dançar flamenco e tango, mas tenho o direito de me arrepiar quando vejo os corpos se unirem com a alma, a cada passo dos bailarinos.

Eu não posso fazer amor com tanta volúpia, e em posições que sempre sonhei, mas posso ter orgasmos estupendos!

Eu não posso sentir meu corpo mudar, ao abrigar um novo ser em meu ventre, mas posso amar – incondicionalmente – as crianças que habitam o meu coração.

Eu não posso amamentar um bebê quentinho em meus braços, mas tenho muita seiva escorrendo, pelos fios da minha alma, para alimentar espíritos sedentos.


TODAS as pessoas com deficiência podem ser felizes do jeito que são!

Têm total direito de serem amadas, desejadas, queridas, seduzidas, e principalmente, de se apaixonarem pelos seus corpos.

Têm o total direito de se sentirem confortáveis dentro deles, e exalar felicidade pelos seus poros, como eu estou fazendo agora! 


Este poema está no Podcat Rabiscos:



Participação de Leandra no Café Polifônico do Vozes Diversas!


*Leandra Migotto Certeza é mulher com deficiência física, feminista, escritora, poeta, jornalista e consultora em Direitos Humanos das Pessoas com Deficiência desde 1998. 
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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Leandra Migotto Certeza no Boteco da Diversidade em Sampa






O Boteco da Diversidade é um projeto contínuo, e que propõe ocupar a Comedoria do Sesc Pompeia. Trata-se de uma iniciativa que se dispõe a ampliar a visibilidade política e artística de personalidades, ações e assuntos vinculados à diversidade cultural e à defesa dos direitos humanos. Cada encontro é construído de forma diversa, com individualidades, artistas, e formatos também diversos, mantendo-se o ineditismo a cada edição.



Em junho, a arte encontra o diálogo político sobre as muitas formas de se reconhecer a corporalidade e as sexualidades das pessoas com deficiência no Brasil. Com Estela Lapponi, Edu O., Billy Saga, Leandra Migotto, Leandrinha Du Art, Tuca Munhoz, Gata de Rodas.




Com 22 anos e entregue às causas de igualdade, Leandra é mulher, transexual, fotógrafa, produtora, presidenta da 
Associação das Pessoas Portadoras de Deficiência de Passos, no Sul de MG - a Reintegrar. É ativista, midialivrista, cadeirante e uma das referências na luta LGBTs e das Pessoas com Necessidades Especiais.
http://www.cantinhodoscadeirantes.com.br/2015/12/conheca-leandrinha.html




Blogueira (Gata de Rodas), feminista, militante pela diversidade sexual e pelos direitos das pessoas com deficiência. 



Jornalista, escritora e ativista dos direitos das Pessoas com Deficiência. Coordena o projeto Fantasias Caleidoscópicas sobre sexualidade da pessoa com deficiência. Foi premiada pelo projeto de pesquisa Fantasias Caleidoscópicas pela Associação Internacional para o Estudo da Sexualidade, Cultura e Sociedade em Lima.  






Ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. Ex secretário adjunto da Secretária da Pessoa com Deficiência . Assessor do Grupo de Trabalho Acessibilidade São Paulo Transportes S/A e Coordenador do Coletivo We Fuck Brasil . Locutor e produtor do programa de rádio Minuto da Inclusão.Também interpreta a personagem Tucalino, o Clowndeirante.




Professor da Escola de Dança da UFBA , onde também concluiu o mestrado, em 2014. É dançarino, coreógrafo e diretor do Grupo X de Improvisação em Dança. Criador de espetáculos premiados como "Judite quer chorar, mas não consegue!", "Ah, se eu fosse Marilyn!" e "O Corpo Perturbador". Possui experiência internacional junto à Candoco Dance Company (Inglaterra), Cia. Artmacadam e Cie Kastor Agile.




Performer paulistana que tem como foco de pesquisa o discurso cênico do corpo com deficiência, o relacional com o público e o trânsito entre as linguagens cênicas e visuais. Criou o termo Corpo Intruso (2009) e sua manifestação Zuleika Brit. Vimeo Estela Lapponi 



Rapper cadeirante, publicitário, artista plástico, Presidente da ONG Movimento SuperAção e consultor da ONG Mais Diferenças. Lançou recentemente o seu segundo disco intitulado “As ruas estão olhando”.